Como comecei a escrever

a vergonha era muita, mas ganhei coragem.

Sempre tive alguma dificuldade em mostrar as coisas que escrevia. Uma das pessoas que mais me incentivou a escrever foi a minha professora de Português no ensino secundário, a queridíssima Natália Sintra. Foi por causa dela que escrevi o meu primeiro texto dramático, tinha uns 15 ou 16 anos. A peça chamava-se O Consilium das estações e tratava das alterações climáticas e como isso afetava a forma como vivíamos as estações do ano. A professora Natália gostou tanto que a apresentámos à escola. A escola gostou tanto que a fomos representar numa coletividade perto de Faro.

Só comecei verdadeiramente a mostrar as coisas que escrevia quando em 2012 — vivia em Berlim na altura — iniciei um estágio no departamento de comunicação de uma empresa. Acabei por escrever o post de blog com mais visualizações da empresa. Era um guia sobre o que fazer em Lisboa enquanto viajante. Daí ao meu primeiro blog, Vintage Berlin Guide, foi um saltinho, e passei a publicar regularmente. Nessa mesma altura, ganhei ainda mais coragem e colaborei com o Magazine Berlinda, uma revista cultural direcionada para a comunidade portuguesa de Berlim, para onde escrevi algumas crónicas. Ainda lá estão publicadas, para quem tiver curiosidade.

Em 2014, voltei a escrever uma peça de teatro — ou seria um musical? — sobre a história do papel das mulheres na indústria do entretenimento sexual na Europa, desde o final do século XIX até aos anos de 1920: Berliner Luft — It's in the air!. Foi um sucesso e esgotou quase todas as sessões. Mais uma vez fui encenadora e atriz deste espetáculo.

Estava longe de imaginar que em breve teria o meu primeiro livro publicado. E até esta altura, escrevia apenas pelo simples prazer de comunicar e partilhar momentos da minha vida com xs demais.

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O primeiro livro

Portuguesas com M Grande
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A ideia de escrever um livro sobre mulheres portuguesas que marcaram a História ou que me inspiraram, surgiu em Berlim, quando estava grávida da Emmeline. Andava a preparar o quartinho dela e queria ter livros para lhe ler. A maioria dos livros que encontrava nas livrarias era sobre princesas, bruxas más, príncipes que salvam princesas, princesas que esperam por príncipes, tudo cheio de estereótipos de género e muito poucas heroínas que pudessem inspirar a minha filha que estava a chegar. Assim, pensei: — Vou escrever sobre as pioneiras portuguesas, para inspirar a Emmi e para ela aprender um pouco sobre o país onde nasceram os pais (nesta altura ainda não tínhamos pensado num regresso a Portugal).

Enquanto eu imaginava as histórias que ia escrever, logo depois da Emmeline nascer, foi publicado o Histórias de adormecer para raparigas rebeldes, da Elena Favilli e da Francesca Cavallo. Fiquei felicíssima e pensei que, assim, já não precisava de escrever nada. Mas enganei-me.

Depois de o ler percebi que, apesar de super inspirador, o livro não falava numa única portuguesa (claro!). Imediatamente o Portuguesas com M Grande ficou a cozinhar na minha cabeça.

Pôs-se a vida pela frente, e regressámos a Portugal em outubro de 2017.

Em Maio de 2018, estava sentada no escritório da Penguin Random House, com a minha querida editora Eurídice Gomes, a discutir quem seriam as portuguesas que iam figurar no livro. Saí de lá com a certeza que algo muito especial estava prestes a acontecer na minha vida e que, daí em diante, tomaria outro rumo.

E assim foi: em outubro de 2018, Portuguesas com M grande chegou às livrarias e vendeu perto de 2000 exemplares em dois meses. Um pequeno sucesso pessoal!

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Sobre os meus livros

Sou feminista desde os quinze anos. Estudei História, com uma dedicação especial em história das mulheres. Os meus livros não poderiam ser sobre outra coisa.

Acredito que é através da educação que as mentalidades se modificam, e cabe a cada um de nós contribuir para um mundo mais justo, mais igualitário, mais feminista. Os meus livros não poderiam ser sobre outra coisa.

Queres conhecer-me?

Estou sempre disponível para uma conversa online, uma visita à tua escola, uma leitura na biblioteca. Basta entrares em contacto comigo.

As minhas inspirações

Desde cedo que sou leitora, muito apaixonada por poesia. É difícil escolher quem me inspira, porque são muitas as pessoas, e vão muito além do universo literário.

Se tivesse de escolher xs escritorxs que mais me influenciaram ou me servem de referência, escolheria Florbela Espanca, Eça de Queiroz, Maria Teresa Horta, Ana Hatherly, Afonso Cruz, Al Berto, Natália Correia, Anaïs Nin, Jack Kerouac, Lúcia Berlin, Simone de Beauvoir, Maya Angelou, Mary Wollstonecraft, Charles Bukowski, entre outrxs, muitxs outrxs.

A palavra F

Desde o início de 2020 que faço parte de uma plataforma de pessoas incríveis, onde falamos muito sobre feminismo, as nossas vivências e a sociedade actual.

Podes espreitar A palavra F AQUI.